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O que é balança de poder?

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O que é balança de poder?

O conceito de balança de poder é quando um Estado se torna muito poderoso nas esferas bélica, militar, tecnológica e economicamente. Ele torna- se um hegemon capaz de amedrontar os outros Estados que ficam ameaçados devido a capacidade do “poder de fogo” que este outro possui, com medo de serem atacados e terem os seus territórios invadidos e anexados numa guerra sangrenta, então estes Estados ameaçados por esse novo hegemon precisam se unir e criar forças para neutralizarem o poder do novo ator que ameaça a paz dos mesmos.

Então, por isso que a balança de poder é necessária para bloquear o poder do novo hegemon, de acordo com os autores realistas. Pois, caso o mesmo evolua o seu poder econômico, bélico, militar e tecnológico de maneira abrupta, os outros Estados ficarão inferiores e não irão conseguir alcançar este hegemon, de modo que terão a sua paz ameaçada e para isso terão que se unir através de um acordo cooperativo para investirem nestes setores como já citado, quanto mais eles investem na capacidade técnica e militar, eles ficarão mais fortes para neutralizar o poder hegemônico daquele Estado que tantos os preocupam.

Balança de poder: surgimento

O termo balança de poder ou equilíbrio de poder surgiu com a assinatura da Paz de Vestfália devido a Guerra dos Trinta Anos que durou de 1618 a 1648. No início, foi um conflito religioso entre católicos e protestantes na região germânica da Europa, mas que depois os conflitos se disseminaram para todo o continente, por causa de causas e interesses de domínio político e a busca pela expansão do território.

Foi a partir das inspirações do Realismo clássico e do Realismo moderno, no que se relaciona ao emprego da força pelo Estado, que autores realistas do século XX e XXI desenvolveram seus aportes teóricos sobre a guerra. O cientista político estadunidense Kenneth Waltz (1924-2013) foi um dos grandes expoentes da corrente realista nas teorias de Relações Internacionais no século XX. Conforme elucida Marcus Faro de Castro,

o estudo das Relações Internacionais adquiriu identidade própria com o desenvolvimento da Teoria das Relações Internacionais (TRI) no século XX. O objeto da TRI é a “política internacional”. A TRI procura descrever os fundamentos políticos à reestruturação da ordem internacional. Mas o que é a “política internacional”? E desde quando ela existe? (CASTRO, 2001, p.1).

Retoricamente, o autor responde que, “a política internacional é um conjunto de práticas, frequentemente envolvendo o uso da força efetiva ou ameaçada, através das quais os estados se relacionam. A TRI, por seu turno, é um conjunto de proposições sobre como os estados regulam tais práticas” (CASTRO, 2001, P. 1). Neste sentido, a teoria de equilíbrio de poder se propõe a entender o conjunto de práticas, que envolve, exerce ou intimida o uso da força, através do qual os atuais Estados interagem no sistema internacional (CORRÊA, Fernanda G., 2016).

O teórico realista Hans Morgenthau abordou de forma sistemática o equilíbrio de poder. De acordo com este autor, o equilíbrio de poder é a aspiração por várias nações de tentar manter ou derrubar o status quo. E que também considerava a maldade como um componente necessário da política e que o desejo pelo poder faz parte da natureza humana e se constitui como uma característica da irracionalidade.

Para Morgenthau, há dois tipos de equilíbrio de poder: (1) equilíbrio de poder de oposição direta, na qual o equilíbrio resulta dos interesses de cada país no cenário internacional. As principais funções deste tipo de balanceamento são preservar estabilidade entre as duas nações e preservar a independência de cada uma. E há a (2) equilíbrio de poder competitivo, na qual se analisa a medição do poder de cada uma das nações envolvidas sobre uma terceira. O acréscimo de poder da terceira nação afetada pende a balança para um ou para outro (MORGETHAU, 2003, P.P. 330-337).

Outro expoente da corrente realista foi Raymond Aron. De acordo com este autor, por os Estados não reconhecerem juízes ou leis superiores a suas vontades, sua sobrevivência e sua segurança se devem mais a eles e às políticas de alianças. Daí a relevância que Aron atribuiu a teoria de equilíbrio de poder. Em síntese, todo Estado que deseja preservar o equilíbrio se posicionará contrário ao Estado ou à coalizão que pareça ser capaz de conseguir una superioridade semelhante. Para Aron, há dois tipos de equilíbrios: os multipolares e os bipolares. O objetivo de cada coalizão é impedir outro Estado de adquirir meios superiores aos seus. No entanto, o fim da Segunda Guerra Mundial trouxe novos elementos de análise à percepção realista, à medida que duas grandes potências já haviam conseguido desenvolver meios de destruição em massa capazes de aniquilar uma a outra. Assim sendo, este autor inovou no que ele convencionou chamar de equilíbrio do terror, no qual, no contexto da Guerra Fria, com o advento da bomba nuclear, havia uma paz de impotência na qual reinava, segundo Noberto Bobbio, “entre unidades políticas das quais cada uma tem a capacidade de infligir golpes mortais uma a outra” (BOBBIO, 2003, P.154).

Atualmente, o país que tem preocupado os EUA que tem a maior economia do mundo, é a China. Este país que há poucas décadas atras era pobre, com uma economia agrária e pouco diversificada, porém a partir da década de 1980 com o fim do governo ditatorial de Mao Tse Tung, a China se reinventou na indústria do setor terciário e hoje é um país que mais investe em tecnologia de ponta, ela exporta os seus produtos para centenas de países no mundo. A Huawei que é umas das principais empresas chinesas está investindo fortemente na tecnologia 5G. A grande preocupação dos EUA como outros países do ocidente é o poder da China quanto bélico e militar que é extremamente potente, tem um exército que é um dos maiores do mundo e agora ela reconheceu o novo governo do Afeganistão que está nas mãos dos talibãs, o grupo terrorista que surgiu após a guerra da Rússia contra o Afeganistão, os EUA controlaram esse grupo de 2001 pra cá mas com saída nação americana então eles voltaram e tomaram a capital Cabul e o presidente do país fugiu com medo do “banho de sangue” que iria surgir.

Bibliografia

BOBBIO, Noberto. Os problemas da Guerra e as vias da paz. São Paulo: UNESP, 2003. Acesso em 31 de agosto de 2021

CARVALHO, Bruno Leal Pastor de. A “Paz de Vestfália”: marco das relações internacionais (artigo). In: Café História – história feita com cliques. Disponível em: www.cafehistoria.com.br/paz-de-vestfalia-marco. Acesso em 31 de agosto de 2021.

CASTRO, Marcus Faro de. De Westfalia a Seattle: a teoria das relações internacionais em transição. Cadernos do REL, Nº 20. Universidade de Brasília, 2º Semestre de 2001. Acesso em 31 de agosto de 2021.

CORRÊA, Fernanda G. A Balança de Poder sob a ótica de Kenneth Waltz: Uma discussão sobre a teoria sistêmica. 2016. Acesso em 31 de agosto de 2021

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