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Qual a utilidade da Teoria de Relações Internacionais?

A disciplina de Relações Internacionais (RI) nasceu, em 1917, no Reino Unido, com a gênese de evitar a ascensão de novos conflitos bélicos. Todavia, isso não ocorreu, pois décadas após a 1ª Guerra Mundial a Europa e o mundo ingressaram em uma escalada militar muito maior, a qual culminou com a 2ª Guerra Mundial e um dos períodos mais violentos da modernidade.

O que deu errado? O equívoco daquele momento histórico de criação das RIs foi o foco. A perspectiva dos acadêmicos e políticos estava concentrada na percepção altruísta de que o homem é bom, e que as nações poderiam viver de forma pacífica apenas respeitando regras jurídicas e realizando comércio. O papel de idealização de uma Liga das Nações, para regular questões de Direito Internacional, e o incentivo do slogan “o comércio promove a paz e a democracia” não foram suficientes.

A falha nas RIs no início do século XX se deve a perda de horizonte e ao desequilíbrio que lastreou as principais ideias da época. Assim nasce o debate entre idealistas e realistas, o qual permeou a compreensão da política internacional. Posteriormente, a filosofia realista ganha maior espaço e projeção no âmbito da profissão, e emergem teorias centradas no poder militar e de ordem geopolítica. Entretanto, o ser analista de RI é ver o mundo por diversas lentes, e a área entra em nova imersão epistemológica.

As teorias neoliberais abrangem maior capilaridade explicativa para as questões que os estudiosos realistas não conseguiram dar respostas, pois o mundo muda, assim como suas estruturas econômicas, às quais, incentivadas pela onda da globalização, produzem novos contornos políticos.

Diante da compreensão neoliberal os especialistas puderam dar entendimento à pergunta: como a Organização dos Estados Produtores de Petróleo (OPEP) conseguiram atingir as principais potências internacionais sem dar um tiro? Para tal indagação o analista de RI trouxe a resposta: simplesmente os Estados da instituição controlam o fluxo comercial do petróleo global. Dessa forma, os argumentos clássicos de caráter rígido e fechado dos realistas perdem parcela de seu crédito, tal como ocorreu com os idealistas formadores das RIs.

O mundo das RIs não é estático e por ser uma profissão interdisciplinar abrange diversas linguagens, às quais modelam e remodelam o foco dos analistas e pesquisadores. A partir dessa capacidade de enxergar a política internacional por diferentes formas a área ganha contribuições das Teorias Críticas, que envolvem diversas formas de pensar ao considerar as RIs além dos vieses tradicionais.

Nesse aspecto, fala-se da teoria do imperialismo cunhada por Lênin, das variantes de inspiração marxistas, cujas abrangências remetem a teoria da dependência e do sistema mundo, e, é claro, não pode faltar no escopo as teorias pós-colonialistas, cujo conteúdo traz os discursos políticos dos Estados colonizados pela Europa.

O sistema internacional é algo construído e idealizado politicamente pelos discursos do próprio homem, ou seja, as RIs também possuem uma característica de construção social, tal qual o Estado, por ser uma comunidade imaginada e existente apenas pelas tradições inventadas. Dentro da profissão de RI surge a Teoria Construtivista, a qual volta-se para a desconstrução de um elemento central das visões teóricas posteriores: a negação da anarquia entre os Estados.

O princípio construtivista visa recordar aos analistas que o temor criado pelos pensadores realistas com a anarquia no ambiente internacional, ou seja, a ausência de um Leviatã internacional, e a necessidade de recorrência ao discurso da soberania, é apenas uma ideia, pois são os Estados os principais criadores e jogadores da política internacional, e convém a eles próprios a crença ou não crença na anarquia.

Por fim, cabe ressaltar que o foco e a utilidade da profissão estão na multiplicidade de lentes, porém o destino que o analista dará a profissão dependerá de sua sensatez e flexibilidade para a compreensão do outro. O profissional de RI é a soma e a transcendência de diversas disciplinas, não com o fundamento em prerrogativas arrogantes, mas de entendimento do que acontece no âmbito doméstico e internacional.

A Teoria de Relações Internacionais para o profissional

Por isso, no tabuleiro multinível da profissão de RI, o analista precisa fazer suas escolhas. A coerência teórica e a paixão são as forças motrizes que trazem o impulso para a atuação a fim de que o profissional não apenas lucre financeiramente, mas que seja excelente naquilo que faz e deixe suas marcas na sociedade em que vive. Você deseja ser esse profissional?

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Curso de Teoria de Relações Internacionais
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Bruno Veillard
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