relações internacionais

O que são as Relações Internacionais?

Calor de quase 50 graus no Canadá, enchentes na Europa, eleições e manifestações populares na América Latina e Caribe, cem anos do Partido Comunista Chinês, vacinação, contágio e relaxamento das medidas de combate ao Covid-19 no mundo são algumas das notícias que apareceram nos jornais, nas redes sociais e, em alguns casos, até nos memes nos últimos meses de junho e de julho de 2021. Todas elas constituem as relações internacionais, em minúscula, e Relações Internacionais (RI ou REL), em maiúscula.

Qual é a diferença? A primeira, em minúscula, como as próprias acepções das palavras indicam, trata das relações entre as nações em sentido mais geral, considerando as dimensões política, econômica, social e cultural. A segunda, em maiúscula, é considerada por alguns analistas como uma disciplina das Ciências Sociais. As Ciências Sociais analisam as sociedades e a disciplina de Relações Internacionais teria como preocupação a dimensão “internacional” das sociedades (PECEQUILO, 2012).

Para outros analistas, Relações Internacionais é um campo acadêmico próprio que estuda as relações e interações entre os países considerando “as atividades e políticas de governos nacionais, Organizações Governamentais Internacionais, Organizações Não-Governamentais e corporações multinacionais” (JACKSON e SORENSEN, 2016, p.26).

Apesar das distintas interpretações a respeito do caráter das Relações Internacionais, é consenso entre os analistas que embora os acontecimentos, fenômenos e atores estudados sejam muito antigos (desde a Grécia antiga até a pandemia do Covid-19 e além), Relações Internacionais é relativamente recente. Os primeiros passos da RI no mundo ocidental estão situados na Europa, no século XX, mais especificamente entre a Revolução Russa e o imediato pós-Primeira Guerra Mundial, quando acadêmicos da University College of Wales, em Aberystwyth, no país de Gales (Reino Unido), criaram a cátedra Woodrow Wilson de Política Internacional, em 1919. 

O estudo das Relações Internacionais

As disciplinas voltadas para o estudo do “internacional” e, em seguida, os cursos de Relações Internacionais foram sendo criados ao longo dos anos em universidades europeias e norte-americanas e, posteriormente, em diversos países do mundo. No Brasil, na década de 1970, mais especificamente em 1973, foram criadas disciplinas que tinham uma preocupação com as relações e/ou com a política internacional na Universidade de São Paulo e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. No ano seguinte, em 1974, foi criado o primeiro curso de Relações Internacionais na Universidade de Brasília (LESSA, 2005; MIYAMOTO, 1999). Em 2021, o país conta com diversos cursos de graduação e pós-graduação.

Mas por que surge e continua existindo RI? Pela necessidade das sociedades compreenderem as interações sociais que ocorrem além das suas fronteiras nacionais, no “mundo exterior”, que podem se referir aos fenômenos ou questões que abarcam dois ou mais países (como as duas guerras mundiais, o aquecimento global e a pandemia do Covid-19), aos diversos acontecimentos nacionais dos outros países (como eleições presidenciais no Peru ou manifestações populares na Colômbia ou na África do Sul) e aos distintos desdobramentos dos fenômenos nas demais sociedades no âmbito doméstico (como o Estado Islâmico na Síria ou os migrantes e refugiados venezuelanos na Colômbia).

A preocupação inicial dos estudiosos das Relações Internacionais era com os países, mas, paulatinamente, outros atores foram sendo incluídos nas análises, como as Organizações Internacionais (como a Organização das Nações Unidas ou o Banco Mundial), Organizações Não-Governamentais (como o Greenpeace ou Conectas), empresas e corporações multinacionais (Amazon ou Apple), grupos sociais e indivíduos, considerando as dimensões políticas, econômicas, sociais e culturais.

Além de procurar o entendimento e a compreensão dos fenômenos, RI também surge e continua existindo porque alguns analistas visam interferir ou mesmo transformar os fenômenos por meio de ações variadas. Deste modo, Relações Internacionais busca organizar sistemas de pensamento e métodos de investigação que abordem a dimensão internacional dos atores, dos processos e dos fenômenos em suas mais diversas expressões. Por se preocupar com as múltiplas faces do “internacional”, Relações Internacionais é considerada multidisciplinar, isto é, formada por outras disciplinas, como Ciência Política, História, Direito, Economia e Geografia.

A multidisciplinaridade contribui para que os que se interessam ou estudam Relações Internacionais tenham uma compreensão mais ampla e complexa sobre os mais diversos fenômenos e questões internacionais, que podem ser abordados sob os mais diferentes prismas. Portanto, compreender as interações sociais, sob a perspectiva das Relações Internacionais, nos permite entender melhor o cenário mundial, mas também a realidade que vivemos por meio de ferramentas específicas.

Gostaria de saber mais? Vou te dar 4 dicas essenciais:

1. Considere a leitura de algumas das referências introdutórias sugeridas ao final do artigo.

2. O podcast Análise Internacional da Revista Relações Exteriores tem a série “Noções para Análise Internacional” que é voltada para quem quer saber mais sobre as Relações Internacionais. Você encontra o podcast através dos principais aplicativos: Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e, também, através do site da Revista Relações Exteriores.

3. Se você é um interessado em (r) Relações (i) Internacionais em busca de ferramentas e práticas para compreender melhor os fenômenos internacionais, inscreva-se no nosso curso de Introdução às Relações Internacionais.

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4. Se você já é graduado e trabalha com Relações Internacionais ou busca se especializar para atuar na área, a Escola Superior de Relações Internacionais não poupou esforços para preparar o melhor programa de MBA em Relações Internacionais que você iria querer!

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Referências indicadas:

GALLO, Rodrigo (org). Relações Internacionais: Temas Clássicos. Boa Vista: Editora IOLE, 2021.

JACKSON, Robert e SORENSEN, Georg. Introduction to international relations (theories and approaches).  USA: Oxford University Press, 2016.

LESSA, Antônio Carlos. Trinta anos de ensino de Relações Internacionais em nível de graduação no Brasil. Meridiano 47, v.54, 2005, p.7-9. Disponível aqui.

MIYAMOTO, Shiguenoli. O estudo das Relações Internacionais no Brasil: o estado da arte. Revista de Sociologia e Política, n. 12, 1999, p. 83-98. Disponível aqui.

PECEQUILO, Cristina Soreanu.  Introdução às Relações Internacionais: temas, atores e visões. Petrópolis, RJ: Vozes Editora, 2004.

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Mayra Coan Lago
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