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Por que a análise de política externa é importante para quem se interessa e/ou trabalha com relações internacionais?

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Política Externa Comunicação

Por que a análise de política externa é importante para quem se interessa e/ou trabalha com relações internacionais?

Quando entramos em nossas redes sociais, abrimos os jornais, sites de notícias ou mesmo assistimos a um telejornal, não é incomum nos depararmos com notícias que se referem ao modo como o Brasil e outros países têm se relacionado no âmbito internacional, considerando as variadas áreas como política, econômica, ambiental, humanitária, cultural e social.

Nos últimos meses de 2020 e 2021, pela pandemia do Sars-Cov-2, temos visto uma ênfase na área sanitária, cujas reflexões estão concentradas em duas questões amplas: como os diferentes países têm lidado com a crise sanitária, especialmente aqueles que precisam contornar a falta de equipamentos médicos, medicamentos e vacinas?  quais ações conjuntas de combate, nos âmbitos multilaterais e bilaterais/regionais, têm sido tomadas? 

No fundo, estas perguntas mais gerais tratam do que hoje conhecemos como política externa. E o que seria política externa? Da mesma forma que os países e seus respectivos governos costumam ter um conjunto de medidas, decisões e programas que visam direcionar suas ações no âmbito doméstico, explicitadas nas suas políticas públicas, eles também têm aquelas que são voltadas para seu relacionamento com entidades externas (Estados, Organizações Internacionais, Corporações Multinacionais, Atores Transnacionais, entre outros), para o cenário internacional, como a própria expressão indica.

Em uma definição mais formal, política externa é compreendida como uma política pública por alguns especialistas como Carlos Milani e Letícia Pinheiro (2013). Esta é composta por um conjunto de ações e decisões de um determinado ator, como o Estado, em relação a outros Estados ou atores externos.  Assim, ela conjuga interesses e ideias dos representantes de um Estado sobre a sua inserção internacional, considerando seus interesses e recursos de poder (Nanci; Pinheiro, 2020).

Elaborá-la e implementá-la não é tarefa fácil, por isso que os Estados costumam ter um corpo técnico, representado pelo Ministério de Relações Exteriores ou órgão similar, que auxilia o governante na formulação, nas estratégias e decisões a serem tomadas. Em geral, um Estado via governo sempre buscará defender os princípios e os interesses nacionais, mas também de setores distintos da sociedade, como o agronegócio, as empresas multinacionais e as igrejas, por exemplo.

A complexidade da tomada de decisões dos Estados, bem como da compreensão dos diversos atores e respectivos interesses que influenciam ou contribuem para a definição e implementação da política externa gerou, no âmbito acadêmico, a necessidade de criarmos uma disciplina específica de Relações Internacionais para compreendermos este processo: a Análise de Política Externa (APE).

Ela surgiu na década de 1950, no mundo anglo-saxão, buscando contribuir para o estudo das relações entre os diversos atores, sobretudo os Estados no cenário internacional, visando a compreensão do processo decisório, os atores envolvidos, os processos e as condições que afetam a política externa. Com mais de setenta anos de história, a APE tem colaborado significativamente para as análises de variados fenômenos do cenário internacional por meio de explicações teóricas que podem ser multifatoriais, multiníveis, multidisciplinares ou integrativas.

A esta altura, você já deve ter as respostas para a pergunta que intitulou este texto, mas vale a pena recuperarmos a indagação:

Afinal, por que a Análise de Política Externa é importante para quem se interessa e/ou trabalha com relações internacionais?

Vou te dar três motivos mais gerais:

1. As ações dos Estados e demais atores que ele se relaciona têm implicações práticas variadas, com impactos distintos no âmbito doméstico e nos setores da sociedade. Conhecer e compreender as ações, os riscos e as consequências das tomadas de decisão em política externa pode contribuir para a avaliação ou gestão destes impactos onde você trabalha.

2. Saber identificar e/ou descrever os fenômenos é muito bacana, mas já pensou que interessante seria se você conseguisse explicá-los por meio de ferramentas que te ajudam a mapear os elementos que influenciam o processo de construção da tomada de decisão de política externa, como os fatores e os atores? Ou, em outras palavras, quem, por que e em que instâncias as decisões são tomadas?

3. A política externa é uma política pública. Como bem ponderaram as professoras Fernanda Nanci Gonçalves e Letícia Pinheiro (2020), isso significa reconhecer que ela pertence ao rol das ações de escolhas de um governo, mas também o componente político em sua formulação, condução e implementação. Deste modo, a sua politização, isto é, a intensificação do debate das ideias, valores e interesses sobre as opções políticas deve ser fomentada, inclusive, na sociedade civil. Ou seja, nós, enquanto cidadãos, devemos ter ciência dos fatores e dos interesses envolvidos nas decisões tomadas por meio de leituras e/ou de cursos, inclusive para que possamos cobrar as autoridades governamentais.

Gostaria de saber mais? Vou te dar 3 dicas excepcionais:

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Curso de Análise de Política Externa
  1. Considere a leitura de algumas das referências introdutórias sugeridas ao final do artigo.
  2. A Revista Relações Exteriores tem análises muito interessantes sobre a política externa brasileira.
  3. Se você é um internacionalista em busca das melhores ferramentas e práticas para se tornar um Analista de Política Externa, inscreva-se no nosso Curso de Análise de Política Externa.

Referências indicadas:

CARLSNAES, W; GUZZINI, S (org). Foreign Policy Analysis. Los Angeles: Sage, 2011.

FARIA, Carlos Aurélio Pimenta. “Opinião Pública e política externa: insulamento, politização e reforma na produção da política exterior do Brasil”. Revista Brasileira de Política Internacional, 51(2): 80-97, 2008.

FERREIRA, Marcos Alan S. V. Análise de Política Externa em Perspectiva: atores, instituições e novos temas. João Pessoa: Editora UFPB, 2020.

GONÇALVES, Fernanda Nanci; PINHEIRO, Letícia. Análise de Política Externa: o que estudar e por quê? Curitiba: Ed Intersaberes, 2020.

MILANI, Carlos; PINHEIRO, Letícia. “Política externa brasileira: os desafios de sua caracterização como política pública”. Contexto Internacional, Rio de Janeiro, v.35, n.1, p.11-41, 2013.

SALOMON, Mónica; PINHEIRO, Letícia. Análise de Política Externa e Política Externa Brasileira: trajetória, desafios e possibilidades de um campo de estudos. Rev. bras. polít. int., Brasília, v. 56, n. 1, p. 40-59, 2013.

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